|
QUALIFICAR PARA INCLUIR -
ASSOCIAÇÃO DE SOLIDARIEDADE SOCIAL (QpI)
A
«Qualificar para Incluir - Associação de
Solidariedade Social» (QpI)
foi fundada, em
2001, por sócios individuais e pela Cooperativa de
Ensino Superior de Serviço Social, CRL/Instituto
Superior de Serviço Social do Porto, como sócio
colectivo. Foi registada como Instituição Particular
de Solidariedade Social (registo nº 54/02) e
reconhecida como Pessoa Colectiva de Utilidade
Pública. NIPC 505 494 051.
Destinatários principais:
Adolescentes
originários de habitats desqualificados do Porto
(Cidade e Grande Porto), expostos a uma variedade de
privações que comprometem gravemente as
possibilidades de crescer: privações afectivas no
seio dos grupos familiares devastados por problemas
de consumo, tráfico de drogas, monoparentalidade,
maus tratos, abandono, pobreza, etc.; privação da
dignidade social em virtude da exposição a processos
muito fortes de estigmatização que inviabilizam as
possibilidades de aderir a regras e padrões
essenciais para a integração social.
Objectivos: Criar
caminhos de aprendizagem que evitem o abandono de
todo e qualquer tipo de formação, a futura
desqualificação profissional e a dependência
económica; prevenir as roturas sociais que conduzem
à marginalização e à delinquência.
A QpI defende: A
necessidade de reunir as condições adequadas à
criação de uma dinâmica educativa de
grande qualidade. Isto é,
uma dinâmica exigente nos planos da aquisição de
conhecimentos, do relacionamento com os outros e da
educação afectiva;
A necessidade de
construir com os jovens projectos de vida
consistentes,
apoiando-os nas etapas sucessivas da sua formação e
encaminhando-os para a entrada no mundo do trabalho;
A
necessidade de concertação sistemática entre
instituições sociais e educativas, organizações
económicas, voluntários, etc. com vista a
contrariar perdas de eficácia resultantes de
intervenções sectorizadas e descoordenadas. Isto
é, só é possível criar as condições de uma
verdadeira ressocialização por via da
constituição de redes interinstitucionais com
vista ao encadeamento coerente das sucessivas etapas
do projecto de vida (ensino regular, formação
profissional, emprego, etc.).
Para aperfeiçoar as suas
intervenções,
a Qualificar para Incluir precisa de:
-
Donativos
em dinheiro e em material escolar, em equipamento
pedagógico e informático, em bens alimentares;
-
Sócios
e/ou voluntários com as habilitações e a
disponibilidade necessárias para investir na
animação regular de pequenos grupos de estudo
que facultem aos adolescentes, em situação de
pré-ruptura com a escola, a descoberta da
utilidade das disciplinas básicas
(designadamente, Português, Matemática, Inglês)
e o desenvolvimento da vontade de aprender;
-
Sócios
e/ou voluntários empenhados em organizar
actividades de divulgação da Associação e de
criação de recursos materiais e humanos;
-
Instituições/associações
desportivas, culturais, sócio-educativas
disponíveis para integrar, em condições
financeiras a negociar, os adolescentes em
actividades susceptíveis de lhes proporcionar
aprendizagens de grande qualidade e participação
num meio social valorizante.
Condições para se tornar
sócio:
1.
Preencher o Pedido
de Adesão, indicando as opções em matéria de
pagamento de quota (ver ponto 3.);
2.
pagar uma jóia de 25 €;
3.
pagar uma quota mensal. A quota mínima é de
7,48€ (1 500$) por mês.
O futuro sócio pode, ainda, optar por quotas mensais
de 9,98€,
de 12,47€
ou de outro montante superior. A quota pode ser paga
mensalmente, semestralmente (respectivamente 44,90€
para a quota mínima, 59,87€, 74,84€ ou mais) ou
anualmente (respectivamente 89,81€ para a quota
mínima, 119,74€, 149,68€ ou mais), por cheque
bancário à ordem de «Qualificar para Incluir -
Associação de Solidariedade Social» ou por
transferência bancária (ver pedido de
transferência bancária a devolver devidamente
assinado à «Qualificar para Incluir») para:
Caixa
Geral de Depósitos, NIB:003501030002891503009
A Associação já tem vindo a beneficiar de
donativos provenientes de várias entidades, entre as
quais a Caixa Geral de Depósitos, a J.B. Fernandes
Memorial Trust I.
A
«Qualificar para Incluir - Associação de
Solidariedade Social» (QpI) desenvolve
um trabalho de intervenção directa na comunidade,
cujo principal objectivo é criar lugares em que
adolescentes confrontados, desde muito cedo, com
múltiplas privações materiais, relacionais e
afectivas possam usufruir das oportunidades
educativas indispensáveis para alcançar uma
inserção profissional e condições de existência
satisfatórias.
A intervenção teve
início, no ano de 2000, sob o impulso do Instituto
Superior de Serviço Social do Porto, enquanto
estabelecimento de ensino superior cooperativo,
empenhado na formação de profissionais (os
assistentes sociais) que contribuam com eficiência
e entusiasmo para o combate à pobreza e à
marginalização social. A Qualificar para Incluir -
Associação de Solidariedade Social surge como um
meio para assegurar a continuidade e ampliação da
acção e, sobretudo, para permitir o seu
alargamento a uma multiplicidade de instituições e
cidadãos com vontade de partilhar conhecimentos e
disponibilidade afectiva com adolescentes
maltratados pela vida, em muitos casos, desde a
primeira infância.
Trata-se de uma acção de apoio educativo que se quer de longa duração,
já que se pretende acompanhar os jovens em todas as
etapas da concretização de projectos de vida
voltados para a conquista de um lugar útil e
valorizado na vida social.
A reparação das graves roturas
que marcaram muito precocemente a vida destes jovens
não será viável sem a reunião de recursos
materiais e humanos significativos.
A complexidade e
multidimensionalidade dos problemas que impedem
estes adolescentes de serem protagonistas de
trajectos sociais inclusivos implicam o recurso a
formas de intervenção de grande qualidade,
designadamente no que respeita às actividades de
apoio ao estudo, de educação de atitudes, valores e
afectos, de aquisição de competências culturais em
domínios como o desporto, a música e outras formas
de expressão artística.
A possibilidade de inverter o
destino de exclusão, gerando a mudança de
atitudes, valores, padrões de comportamento e
alargando os conhecimentos e competências
indispensáveis à obtenção de uma qualificação
profissional portadora de autonomia económica,
dignidade e relacionamentos sociais, depende
estreitamente da criação de um meio de
socialização rico, não somente no plano do
relacionamento e das referências como no da
interiorização de conhecimentos e competências.
Sem esses requisitos decisivos
não será possível reparar as marcas profundas e
dolorosas deixadas pelas privações materiais e
pela debilidade ou rotura dos laços afectivos no
seio das suas próprias famílias.
O primeiro eixo do trabalho
empreendido visa superar a profunda rejeição da
escola, através da inserção em actividades de
estimulação da motivação para o estudo e para a
descoberta dos valores do conhecimento. Por via da
experimentação de práticas pedagógicas
diversificadas, apoiadas no encorajamento da
participação activa dos jovens, na busca da
identificação da utilidade dos conteúdos
teóricos para a vida prática, numa dinâmica de
grupo que desperte e consolide a vontade de
progredir, pretende-se reformular a relação com a
aprendizagem.
Cada jovem é acompanhado
por um tutor, figura de identificação positiva e
presença simultaneamente dedicada e firme que
permite restaurar o sentimento do seu próprio valor
e a confiança necessários para assumir as
múltiplas aprendizagens que lhe são propostas.
O trabalho de apoio às
aprendizagens escolares é, ainda, norteado pela
preocupação em estreitar as relações com as
escolas onde os adolescentes estão inscritos, de
forma a que o processo educativo ganhe em coerência
e adequação às suas características culturais e
biográficas. A constituição de verdadeiras redes
de cooperação inter-institucional afigura-se,
aliás, como um meio importante para evitar que
estes jovens permaneçam numa situação perniciosa
de vazio educativo.
Um outro domínio de
intervenção a desenvolver remete para a promoção
de actividades lúdicas e sócio-culturais que, para
além de ampliar conhecimentos e competências,
sejam, também, oportunidades de aceder a relações
portadoras de referências positivas e
mobilizadoras, nesta fase tão crucial de
construção da identidade que é a adolescência.
Tratando-se de adolescentes
(actualmente, entre os 12 e os 16/17 anos) inseridos
em redes de relacionamento muito fechadas num grupo
de outros que vivem o mesmo tipo de problemas e
privações, a frequência de espaços educativos e
recreativos de qualidade, portadores de
oportunidades de se relacionarem com adolescentes e
adultos cultural e socialmente diversificados,
constitui outro meio essencial para promover a
mudança de estilo de vida e desenvolver a vontade
de lutar para construir o seu próprio futuro.
A QpI está a trabalhar
intensivamente com um grupo de cerca de 50
adolescentes integrados no ensino recorrente (2º e
3º ciclos do ensino básico, ensino secundário),
proporcionando-lhes actividades durante o dia e
assegurando o seu acompanhamento nas aulas à noite,
no quadro de uma parceria estabelecida com a Escola
Secundária de Alexandre Herculano. No âmbito de uma
parceria com a Escola Doutor Augusto César Pires de
Lima, a QpI promove
actividades de motivação para o estudo que acolhem
cerca de 80 adolescentes, mais novos, inscritos no
2º e no 3º ciclos do ensino básico diurno.
O terreno de intervenção
da QpI é o combate à miséria
material, cultural e sócio-afectiva que
compromete, tão arbitrariamente, toda a vida das
crianças e adolescentes que têm o infortúnio de
nascer nos meios sócio-familiares muito
desfavorecidos que a sociedade portuguesa ainda
comporta.
A defesa desta causa social e
cívica merece, no nosso entender, ser alargada ao
maior número possível de organizações e
indivíduos interessados em conjugar
profissionalismo e entusiasmo militante, no seio de
uma acção colectiva e solidária, voltada
para o desenvolvimento social e a concretização do
princípio da igualdade de oportunidades.
|